Redação destaque: "Participação política da juventude: desafios e perspectivas para a democracia brasileira contemporânea", por Ana Gabriela Lopes
Destaque da Semana:
Nosso(a) aluno(a) Ana Gabriela Lopes Martins conquistou o destaque da semana ao desenvolver o tema "Participação política da juventude: desafios e perspectivas para a democracia brasileira contemporânea". Orientada pelo(a) professor(a) Wanessa, produziu um texto no gênero dissertação argumentativo , direcionado a UFG.
A música “Coração de Estudante”, composta em 1983 por Milton Nascimento, expressa a esperança e o potencial transformador da juventude, que naquele contexto protagonizava a reconstrução da democracia brasileira após décadas de regime ditatorial. Consoante aos versos do autor, o engajamento dos jovens em movimentos políticos, como as Diretas Já, foi importante para conter o retrocesso, para impulsionar o processo democrático e para inspirar futuras gerações. Em contrapartida, a juventude do século XXI é, majoritariamente, marcada pela pouca participação política, tendo deixado, apenas nos livros de história, os feitos daqueles que vieram antes com o espírito revolucionário. Desse modo, é essencial a discussão acerca dos desafios e das perspectivas da democracia no Brasil, tendo em vista a juventude contemporânea, que vive na era da desinformação e é pouco consciente politicamente
Diante desse cenário, pontua-se que os jovens brasileiros, em razão de viverem imersos nas plataformas digitais, são expostos cotidianamente a uma infinidade de informações, que podem ou não ser verdadeiras e que, em sua grande maioria, não são de fato verificadas, fazendo com que se perpetue o ciclo das “fake news”. Essa não verificação da veracidade das informações publicadas na internet pode ser compreendida pelo conceito de “câmaras de eco”, discutido pelo escritor Umberto Eco, o qual diz que os indivíduos tendem a consumir conteúdos que reforçam suas próprias crenças, o que reduz o contato com opiniões divergentes e, ao reforçar crenças já existentes, leva os sujeitos a consumirem informações sem verificar sua veracidade. Prova disso é que, de acordo com a OCDE, a maioria dos jovens não sabe avaliar informação na internet, o que amplia, desse modo, a desinformação e desafia as futuras perspectivas da democracia brasileira, já que forma uma juventude cada vez menos politicamente ativa.
Como consequência desse desinteresse, a juventude brasileira não se envolve em projetos políticos que promovem a reflexão acerca da realidade socioeconômica contemporânea, o que coaduna com o projeto neoliberal de alienação política da sociedade. Embora o Estatuto da Juventude estabeleça a inclusão dos jovens na formulação, na execução e na participação de políticas públicas no país, observa-se, na verdade, que as novas gerações desconhecem seus direitos de envolvimento político, a exemplo de programas como o Parlamento Jovem Brasileiro (PJB), o que faz com que a juventude enfrente dificuldades em exercer o papel – caracterizado por Aristóteles, ainda na Antiguidade Clássica – de “animal político”. Logo, fica claro que a juventude desconhece sua natureza política e é pouco informada acerca das oportunidades de participação dos âmbitos decisórios da democracia brasileira. A antiga praça das Diretas Já pode até ter cabido na tela do celular, mas a participação democrática não pode se limitar a ela.
Conclui-se, portanto, que, enquanto os jovens continuarem vivendo em suas “câmaras de eco” digitais e desconhecerem as formas de participarem da política, a democracia brasileira continuará com perspectivas desafiadoras.
Ana Gabriela Lopes

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