Redação destaque: "Crise educacional: o crescente distanciamento dos jovens da escola.", por Júlia Lopes César
Destaque da Semana:
Nosso(a) aluno(a) Júlia Lopes César conquistou o destaque da semana ao desenvolver o tema "rise educacional: o crescente distanciamento dos jovens da escola.". Orientada pelo(a) professor(a) Thiago, produziu um texto no gênero dissertação argumentativo , direcionado a UFG.
Na famosa música "Another Brick in the Wall", a banda Pink Floyd denuncia como a escola, munida da máxima autoridade com aval da sociedade, postulava uma educação opressora e até violenta com os alunos, sob a pretexto de ser a única formadora de cidadãos. À luz dessa obra crítica adequada a seu tempo, percebe-se que, na atualidade, apesar de a escola ter substituído práticas agressivas por uma abordagem mais humanizada, os jovens seguem acreditando que não precisam da educação formal, o que fomenta a postura epidêmica de abandono da instituição escolar. Sendo assim, é inegável como o crescente distanciamento dos jovens da escola constitui a crise educacional contemporânea, devido não só à base de ensino tradicionalista mas também ao declínio da crença no potencial transformador da formação escolar.
Diante dessa conjuntura decadente, é preciso discutir que o molde arcaico e conteudista que fundamenta a educação atual, tão excludente quanto desinteressante, afasta os jovens da escola. Para o educador Paulo Freire, o sistema de ensino vigente, em vez de formar sujeitos ativos, dotados de pensamento crítico e de habilidades sociais, na verdade, pauta-se em uma educação bancária, padronizadora e, como Pierre Bourdieu descreveu, opressora, já que só leciona matérias eruditas e incondizentes com a realidade popular. Essa sincronia de perspectivas elucida a relação entre a base tradicionalista da escola e o crescente abandono dessa instituição, na medida em que os jovens, ao serem submetidos a fórmulas rígidas e a preconceitos reproduzidos em sala de aula, passam a questionar a utilidade dessa formação e, consequentemente, a recorrer a outros espaços de aprendizagem, a exemplo das redes sociais, buscando conteúdos que consideram mais aplicáveis ao cotidiano. Não por acaso, cerca de 63% dos professores, conforme a Folha de São Paulo, reclamam da falta de interesse e de disciplina dos alunos, uma tendência que marca o contraste entre o desejo da juventude por uma educação emancipadora, tal qual Freire idealizou, e a realidade do sistema de ensino cuja base conteudista perpetua, além da violência simbólica que impõe a cultura da elite, a apatia pela sala de aula e, por conseguinte, o afastamento dela.
Ademais, vale pontuar que a coletiva perda de credibilidade no poder de transformação social da escola, tão reconhecida há décadas atrás, é um fator de distanciamento dos estudantes. Acerca disso, o sociólogo François Dubet argumenta que a instituição escolar perdeu legitimidade na contemporaneidade, tanto em razão da decadência da sua máxima autoridade na transmissão de conhecimento quanto em razão do surgimento de novas vias para a ascensão social. A partir desse viés, embora jovens como Malala Yousafzai ainda defendam o potencial de transformação da educação formal, na atualidade, sobressai-se o sentimento de obsolescência da escola frente às promessas mais imediatas de ascensão social, típicas da modernidade líquida vigente, materializada no discurso dos “coachs” mirins na internet da "geração Z", que minimizam a importância de um diploma, afastando a juventude por meio do desinteresse e ratificando, assim, a tese de Dubet.
A verdade, portanto, é que, diante da crise educacional contemporânea, a base de ensino tradicionalista e o declínio da crença no poder transformador da escola só intensificam o afastamento dos jovens dessa instituição. Desse modo, a educação atual, ao suprimir seu dever emancipador, perpetua a visão dos estudantes de serem "mais um tijolo no muro".
Júlia Lopes César

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