Redação destaque: "Crise educacional: o crescente distanciamento dos jovens da escola", por Arthur Lacerda Becker

   

Destaque da Semana:

    Nosso(a) aluno(a) Arthur Lacerda Becker conquistou o destaque da semana ao desenvolver o tema "Crise educacional: o crescente distanciamento dos jovens da escola". Orientada pelo(a) professor(a) Leandro, produziu um texto no gênero dissertação argumentativo , direcionado a UFG.


    Segundo o filósofo e educador brasileiro Paulo Freire, a educação é uma prática de liberdade, em que o aluno deve ser um sujeito ativo da aprendizagem e o professor, um mediador do conhecimento. Nesse sentido, apesar de o ambiente escolar ser fundamental para o desenvolvimento intelectual e social de milhares de jovens, nota-se que essa instituição vem perdendo sua relevância na contemporaneidade, tendo, muitas vezes, seu papel de compreensão crítica e de transformação social negligenciado pelos novos estudantes. Logo, fica evidente como o crescente distanciamento dos jovens da escola é tratado como uma crise educacional, relacionando-se com um modelo didático arcaico e com a perda de legitimidade da instituição.
    Diante desse cenário de desvinculação escolar, é preciso discutir como a manutenção de um modelo de ensino estático é um entrave para a plena valorização da escola. Conforme o escritor Anísio Teixeira, a escola nova deve colocar o aluno como um ser crítico e pensante, suprimindo os modelos antigos de aprendizagem passiva. A partir dessa perspectiva, pode-se perceber como um modelo engessado e não conectado com a atual realidade, globalizada e tecnológica, fez com que os alunos perdessem o interesse no ensino, que, até os dias atuais, coloca o professor como figura central das instituições, semelhante às do século XIX. Consequentemente, a falta de disciplina entre os alunos, relatada na Folha de S. Paulo, faz-se cada vez maior em razão do ensino arcaico e desestimulante, o que acarreta um impacto negativo na formação crítica dos jovens, os quais, cada vez mais afastados da escola e imersos em um mundo hiperconectado, tornam-se mais suscetíveis à homogeneização de opiniões no Brasil.
    Ademais, é válido discutir como a perda de soberania das escolas na transmissão de conhecimento também é um fator que corrobora a crise educacional entre os jovens. De acordo com o sociólogo François Dubet, a principal característica da educação contemporânea é o declínio da legitimidade da instituição escolar. Diante dessa realidade, percebe-se como a ascensão das novas tecnologias, como as inteligências artificiais, capazes de transmitir informações de maneira muito mais rápida, criam a falsa percepção de independência das instituições tradicionais de formação. Como efeito, tanto a figura da escola, fundamental para dirimir a desigualdade social, quanto a figura do professor, considerado uma autoridade, perdem reconhecimento, tendo seu papel, em partes, substituído pelas IAs, utilizadas por 70% dos alunos, como indicado pela Folha de S. Paulo, o que intensifica a perda de legitimidade dessa instituição, distanciando os jovens do ambiente escolar.
    Portanto, a verdade é que, enquanto as instituições escolares mantiverem o seu modelo arcaico de ensino e enquanto a perda da soberania escolar continuar sendo uma realidade, a crise educacional com o distanciamento dos jovens se perpetuará, agravando impactos na formação dos novos alunos e a dependência nas inteligências artificiais, contrapondo-se à visão da educação como libertadora, conceituada por Freire

Arthur Lacerda Becker

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