Redação destaque: "Desigualdade de gênero na política", por Ana Júlia N. Souza



 


Destaque da Semana:

    Nossa aluna Ana Júlia Nascimento de Souza  conquistou o destaque da semana ao desenvolver o tema “A baixa representatividade feminina na política”. Orientada pela professora Nayara Cabral, produziu um texto no gênero artigo de opinião, direcionado ao vestibular da PUC-GO. 

      Para conhecer a proposta de redação completa e se desafiar com o mesmo tema, basta acessar o link abaixo.

Confira a coletânea completa

Confira a coletânea completa para compreender o texto abaixo e use-a para praticar sua redação rumo ao vestibular da PUC-GO.

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Carta aberta ao escritório da ONU mulheres no Brasil acerca da representatividade parlamentar.


Goiânia, 12 de abril de 2026.


Prezadas senhoras do Escritório da ONU Mulheres no Brasil, 


Escrevo-lhes motivada por um dos dados que, para mim, foi o estopim do cenário de desigualdade de gênero no país: o Brasil ocupa a 133ª posição no ranking global de representação parlamentar feminina. Apesar do infortúnio dessa exposição, tenho certeza de que, para vocês, mulheres com grandes papéis políticos, essa estatística não trouxe nenhuma surpresa, uma vez que a realidade do congresso brasileiro reflete, como um espelho, as adversidades que nós, cidadãs, enfrentamos todos os dias. Nesse sentido, eu, como feminista e defensora dos direitos das mulheres, sinto-me no dever de apoiar as senhoras na luta pelo aumento da representatividade política, pois apenas assim a democracia plena será, de fato, alcançada. 

Diante desse contexto, eu afirmo que precisamos romper com as raízes históricas machistas presentes na atualidade. Vossas senhorias, participantes de cargos de liderança feminina, algo que é raro na dinâmica de poder, devem concordar comigo que é indignante não existirem esforços maiores do que as cotas de representatividade política para incluir as novas vozes no que chamamos de democracia. Nessa conjuntura, imagino que as senhoras, provavelmente, enfrentam inúmeros questionamentos constantemente sobre as suas capacidades no trabalho que executam simplesmente por serem mulheres. Vocês são a prova viva de que ter as vozes silenciadas até 1932, isto é, até menos de um século atrás, quando o voto feminino foi equiparado ao valor do voto masculino constitucionalmente, provocou um impacto contínuo sobre o valor da nossa fala. Não é coincidência que a presença feminina na política permanece baixíssima, em torno de 15%. Essa é a pauta, a da mudança da nossa história enquanto cidadãs da democracia brasileira, que eu conto com vocês para acatarem. 

Ademais, os símbolos, meramente preconceituosos, atribuídos à figura feminina e aos papéis de gênero precisam ser ressignificados. Vossas senhorias conhecem a célebre Simone de Beauvoir, e não discordo de sua proposição de que não nascemos mulheres, mas nos tornamos, porque, desde a infância, aprendemos modos, costumes e valores socialmente construídos que orientam comportamentos e expectativas atribuídas ao feminino – características que, segundo essa perspectiva filosófica, não decorrem de determinações biológicas presentes no nascimento, mas de processos históricos e culturais. Entretanto, nesse estudo, é nítido que ser mulher significa ceder à opressão simbólica patriarcal, e eu fomento que, então, devemos modificar esse conceito, pois as senhoras, assim como eu, certamente sabem que somos muito mais do que isso. A nossa identidade é política, é democrática, e isso não nos anula como mulheres. Por isso, recorro a vocês para transformarmos a perspectiva ideológica da sociedade. Afinal, nós não devemos tolerar as consequências de um meio social estruturalmente violento e antidemocrático, como a violência de gênero, a simbólica e a física, às quais somos submetidas repetidamente e que perpetuam um país sem justiça política. 

Logo, senhoras da ONU Brasil, o país urge subir de posição no ranking de representação parlamentar feminina. Somente quando nos unirmos para redirecionar a história, para redefinir a identidade feminina e para aumentar a nossa representatividade política é que a democracia brasileira plena será alcançada. 


Respeitosamente, 

Josefa



Ana Júlia Nascimento



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